Adelina Apresenta: #MãosQueFazem com Pedro Petry.

A série #MãosQueFazem foi criada pela Adelina para que você possa descobrir um novo jeito de olhar para a produção artesanal e sentir o carinho através das coisas – por meio dos bastidores do gesto criador, conhecendo um pouco mais de quem está por trás dos objetos e obras que você encontra na Adelina Loja.

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o processo de criação à partir da matéria prima de Pedro Petry.

Pedro Petry. Foto: via Marcia Peltier

Pedro é natural de Joinville, em Santa Catarina, e trabalha com madeira há mais de trinta anos. Sua relação com a matéria prima começou, entretanto, não através do design, mas da arte: Antes de tornar-se designer, Petry é artista e seus primeiros trabalhos em madeira foram esculturas e instalações – que até hoje ressoam em suas peças. Se especializou em torno na Alemanha, no início da década de 90, mas foi no Brasil que encontrou o que viria a ser a questão central de seu trabalho – e seu mergulho no mundo do design.

O artista começou a trabalhar com mobiliário – misturando arte e design – mas encontrou nesse ofício um problema central: o desperdício. A indústria de móveis – até mesmo as menores, mais artesanais – é muito rígida na hora de definir o que é uma matéria prima adequada para a produção. Se a madeira tinha rachaduras ou fendas naturais, variação de textura ou de coloração, era considerada descarte, e isso era visto como controle de qualidade. Para Pedro, entretanto, isso não era controle de qualidade e sim desperdício.

Com a escassez dos recursos naturais – que é um fato – nada que é recurso natural pode ser desperdiçado. […] Quando vim para cá (para o design), na verdade, era um protesto: Eu vim do setor moveleiro e sempre entendi que se jogava muita coisa fora. Fui buscar uma alternativa, e pensava assim: Bom, mas isso é bonito, por que está rachado ou por que tem um buraco, que a natureza criou ali, vamos jogar fora?! Mas a cultura do consumo não aceitava isso, então, era descarte. […] Eu vou no que eu tenho: o que eu consigo tirar de maior daquilo (da madeira).

Transcrição de entrevista de Pedro Petry.

Procurando soluções sustentáveis, a primeira delas que encontrou – herança de sua produção artística – foi explorar e pesquisar madeiras não convencionais, como arvores frutíferas, madeiras de macieira, cajueiro e semelhantes, as quais ninguém havia antes se aventurado a trazer para a produção de móveis ou design.

Pedro pesquisando sua matéria prima. Foto: @atelierpedropetry via Instagram
Estojo de madeira com coleção de canetas de diversas madeiras nacionais. Foto: Adelina Loja

A segunda solução, além da pesquisa com as madeiras não convencional, foi a de aproveitar a madeira em sua totalidade. O que Pedro produz em seu ateliê vai de móveis planejados de mais de três metros de largura até pequenas e delicadas jóias com contas de madeira. Canetas, marcadores de página, abridores de carta, cachepôs, bandejas, esculturas, luminárias: a variedade de objetos e dimensões garante que o desperdício da matéria seja mínimo, extraindo ao máximo as possibilidades de um recurso natural esgotável – e que é descartado pela indústria.

Madeira selecionada por Pedro para virar uma mesa. Foto: @atelierpedropetry via Instagram

Além dessas duas soluções, Petro ativamente procura por aquelas madeiras que vão ser desdenhadas pela indústria mobilieira – aquelas que contou que são vistas como descarte, com fendas naturais e irregularidades – e desenvolve suas criações de modo a destacar o que antes era uma imperfeição. Desta maneira, suas peças são todas únicas.

Peça de madeira não convencional sendo trabalhada no ateliê do artista. Foto: @atelierpedropetry via Instagram

Assim começa o seu processo de criação: a partir da imperfeição. Pedro pensa seus objetos junto com a madeira, a madeira é parte integrante do processo criativo e guia então as ações do designer, seja em torno, esculpida a mão ou uma mistura de todos os processos. Petry também desenvolveu maneiras únicas de valorizar essas imperfeições. Seja através da Live Edge, técnica na qual a borda do bowl ou do vaso é a parte exterior do tronco da árvore, ou seja com a costura das fendas – é essa colaboração entre criação e criador que torna seus objetos tão especiais.

Matéria prima chegando no ateliê. Foto: @atelierpedropetry via Instagram
Peça em processo. Foto: @atelierpedropetry via Instagram

A pesar de suas peças serem todas artesanais, Pedro não trabalha sozinho. Sua filosofia, além de ecológica, também visa criar um negócio que seja sustentável para o meio-ambiente mas que também crie oportunidades. Em seu ateliê trabalham artesãos treinados pelo próprio designer, que tem autoria criativa de todas as peças e acompanha a fatura delas desde a escolha à dedo dos troncos até o encerar da madeira, passando pelo corte, entalhe, tornear e mais.

Ateliê. Foto: @atelierpedropetry via Instagram
Peça em processo. Foto: @atelierpedropetry via Instagram
Ateliê. Foto: @atelierpedropetry via Instagram

A preocupação com o meio ambiente também levou Petry a ser bastante atento com a origem de suas madeiras: o artesão não trabalha com madeirarias que não sejam de extração certificada, sustentável e responsável! E está constantemente buscando e estudando formas cada vez mais ecologicamente responsáveis de manusear todos os seus recursos, apoiando e fortalecendo a produção artesanal e, ao mesmo tempo, conscientizando os consumidores – que muitas vezes não pensam que o design está relacionado a questões de desmatamento.

Ateliê. Foto: @atelierpedropetry via Instagram
Projeto em processo. Foto: @atelierpedropetry via Instagram

Geralmente no #MãosQueFazem, destrinchamos o processo de nascimento dos objetos desde a escolha do material até sua conclusão. Entretanto, existe uma beleza única do processo de Pedro Petry que acontece antes da peça, na pesquisa do material, na consciência ecológica e na ação ativa de buscar um mundo melhor através de objetos cotidianos. Cada peça de Pedro é tão única quanto seu processo, então, não poderíamos focar na criação de cada uma dela, e, por isso, falamos do que as une enquanto conjunto, que é o pensamento do artista por trás delas.

Pedro trabalhando em 2010. Foto: @atelierpedropetry via Instagram
Castiçal Besouro. Foto:Adelina Loja

A filosofia de Pedro nos ensina que a ação de criar antecede o gesto e nos faz refletir sobre a origem das matérias primas naturais. Suas criações nos ensinam a olhar as imperfeições como obras de arte da natureza, felizes acidentes do acaso que tornam cada coisa única, enchendo os objetos de personalidade e história. O que a primeira vista era um objeto de decoração, uma caneta ou um bowl, torna-se o símbolo de uma atitude radical de preservar o nosso planeta e de encontrar beleza nas coisas.

Por isso é tão importante saber de onde vem aquilo que consumimos e pregar o consumo consciente é mais do que um ideal, e sim, um estilo de vida. Para Pedro, o consumo consciente é, também, uma forma de arte. Suas criações carregam consigo sua trajetória, e, dessa maneira, transformam os ambientes que decoram em verdadeiros guardiões da história daquela matéria prima, daquela madeira que foi uma árvore, que antes de ser árvore, foi uma semente – e nos lembra de que as coisas estão cheias de vida.

Bowl Bi. Foto:Adelina Loja

E aí, gostou de conhecer um pouco mais sobre a criação de Pedro Petry? Encontre mais obras dele no site da Adelina e descubra tudo que a arte pode te proporcionar!

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