Adelina Apresenta: #MãosQueFazem com Heloisa Galvão

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A série #MãosQueFazem foi criada pela Adelina para que você possa descobrir um novo jeito de olhar para a produção artesanal e sentir o carinho através das coisas – por meio dos bastidores do gesto criador, conhecendo um pouco mais de quem está por trás dos objetos e obras que você encontra na Adelina Loja.

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre a produção sensorial e sensível de Heloísa Galvão.

Rede Manual Heloisa Galvão
Heloisa Galvão em seu ateliê. Foto: Rede Manual

Heloísa nasceu na cidade de Castelo, no Espírito Santo, e lá morou até mudar-se para Vitória, onde cursou Artes Visuais. Hoje tem seu ateliê em São Paulo – onde firmou raízes.

Tendo mestrado em Artes, a produção de Helô tem tanto de emoção quanto tem de razão – para ela, o pensar e o fazer na obra de arte se completam – e sua extensa pesquisa na área fornece suporte para a manifestação delicada e sensorial de seus objetos.

Heloisa conta que sua relação com a cerâmica começou desde pequena. Com a mãe sempre incentivando seus experimentos na arte e pai agricultor, o barro é antigo conhecido de seu gesto:

Sempre soube, desde criança, que a coisa que mais me instigava no mundo era construir objetos, criar formas. Entender que poderia fazer disso meu objeto de estudo e trabalho veio um pouco depois…

Heloisa Galvão para Rede Manual

A pesar dessa familiaridade, foi através da fotografia que encontrou a cerâmica. Ainda na graduação, sua pesquisa girava em torno da sensibilização de objetos para a transferência fotográfica, criando fotografias tridimensionais – e, então, esbarrou com a plasticidade da argila. E, desde então, a argila e porcelana vem guiando sua produção em um processo de troca.

Vasos da série Líquida, Heloisa Galvão. Foto: Adelina Loja

Como é pesquisadora, os trabalhos de Heloisa vêm em um fluxo, se manifestam na troca, mas, também, existem no papel e em projetos antes de se materializarem. Na série Líquida, por exemplo, Helô desenvolveu os moldes para as peças a partir de desenhos de formas puras, que visavam realçar a fluidez da matéria que era a porcelana líquida – também de criação da artista – e, foi só ao executar as peças, vertendo o excesso de matéria dos moldes, que a coleção tornou-se o que é hoje – com as bordas irregulares, líquidas.

Uma outra parte muito importante do processo de criação de objetos de Heloisa é a fatura. Seu ateliê conta com assistentes que conduzem cada fase da produção com carinho e atenção.

Heloisa Galvão e seus assistentes Jean, Rogério, Fabiana e Edoe. Foto: Alex Libotte.

Junto de seus assistentes, Helô conta com um sistema de produção delicado, completamente artesanal e delicado. Desde a criação dos moldes – tirados a partir de peças produzidas pela artista – até a última queima, cada fase é crucial para o trabalho final. Qualquer problema em qualquer uma das fases de produção da matéria, construção do molde, secagem, acabamento, primeira queima, esmaltação ou queima final singnifica começar tudo de novo, do zero.

Ferramentas no ateliê de Heloisa Galvão. Foto: Alex Libotte.
Heloisa em frente a um de seus fornos. Foto: Alex Libotte.

As peças de Helô se iniciam na concepção ideal. Através do desenho e da massa, a artista produz as peças que serão as matrizes para a coleção – em modelagem, em torno, suas técnicas são muitas e a artista domina todas. Feito isso, inicia-se o desenvolvimento do material. As receitas de Heloisa são muito regradas e frutos de diversos experimentos – de cor das argilas, espessura da massa, composição química da porcelana e por aí vai. É só depois de muita testagem, vai-e-volta no forno, no papel e na mão que começa a produção, de fato, das peças da coleção, a partir dos moldes desenvolvidos por Helô.

Com o molde pronto e a matéria preparada – a porcelana líquida – os assistentes de helô começam a preencher os moldes. Feitos de partes separadas – duas ou quatro – os moldes são preenchidos pela mistura de porcelana, fechados e depois seguros com alças para secar.

Processo de preenchimento de moldes. Foto: Alex Libotte.
Limpando o molde. Foto: Alex Libotte.
Moldagem em processo. Foto: Alex Libotte.

Uma vez preenchidos e seguros, os moldes são organizados para a secagem. A secagem da cerâmica é uma arte em si – controlar a temperatura e a umidade do ar durante todo o tempo que a peça fica em repouso para que ela seque de maneira uniforme, gradual e lenta – evitando rachaduras, bolhas e instabilidades na peça. A massa cerâmica – a argila, porcelana – enquanto seca, tem vários pontos com diferentes nomes: ponto de couro, ponto de osso – e, quando dá o ponto certo, são desmoldadas. Após serem retiradas de seus moldes, as peças são finalizadas e polidas – tirando qualquer rebarba, imperfeição e garantindo a maciez ao toque.

Peça úmida e pedrinhas para polimento. Foto: Alex Libotte.

Peças sendo polidas. Foto: Alex Libotte.

O polimento da porcelana pode ser feito com pedras ou lixas – tudo depende do acabamento que Helô quer para aquela peça específica. É nessa hora também que os ceramistas – ao finalizarem – precisam do máximo cuidado para que as gotas que se formaram da porcelana líquida mantenham sua beleza natural.

Após o polimento, as peças vão para a primeira queima – e é nessa hora que podem ser empilhadas, se encostam, e enchem o forno. É também nessa hora que começam a ganhar cor: entram acinzentadas no forno e, ao saírem, já dão indícios da pintura alquímica que Heloisa desenvolve com os pigmentos e elementos químicos da composição que citamos lá no início do processo.

Peças saindo do forno. Foto: Alex Libotte.
Heloisa manuseando peça após a primeira queima. Foto: Rede Manual.

É depois dessa primeira queima – a queima biscoito – que vem a esmaltação. A esmaltação cerâmica é como uma pintura, porém, feita com quartzo, vidro, óxidos e pigmentos que transformam-se e aderem a peça em altíssimas temperaturas. Esses esmaltes são diluídos em água em grandes recipientes nos quais as peças são submersas ou são despejados e movimentados dentro da peça, e, rapidamente, viram uma fina camada de pó sobre o vaso.

Outro processo que ocorre nesse momento é a vitrificação – uma técnica delicada e de dificílimo controle que Heloisa domina – para as peças que tem o interior de vidro, ideal para utilitários. A vitrificação consiste em borrifar sobre a superficie da peça uma mistura com finíssimas partículas de vidro, que, nas altas temperaturas da segunda queima, são derretidas e tornam-se uma única camada.

Equipamento para vitrificação. Foto: Alex Libotte.
Peça em processo. Foto: Alex Libotte.

E, finalmente, a segunda queima! Em alta temperatura, as peças retornam esmaltadas para o forno e passam então por uma segunda transformação – ficando mais firmes, ganhando sua cor final e acabamento.

Nesse momento, as peças precisam ser organizadas no forno com o máximo cuidado – para que os esmaltes não se fundam uns aos outros e as peças não grudem.

Ligando o forno. Foto: Alex Libotte.
Forno cheio de peças esmaltadas de Heloisa Galvão. Foto: Alex Libotte.
Ateliê de Heloisa Galvão. Foto: Alex Libotte.

E, então, estão prontas! Após a queima, as peças estão finalizadas, o forno é descarregado e passam pelas mãos de Heloisa uma a uma. Mesmo em produções como as de Helô, controladas, regradas e minuciosas, a queima gera surpresas e novidades. Pequenas variações de temperatura, de umidade do ar, de tempo de queima e redução – até a localização das peças dentro do forno – influenciam na cor das peças.

Por isso, cada abertura de fornada é especial – e única – permitindo também a artista garantir as peças nuances e variações de cor delicadas e sutis.

Heloisa Galvão descarregando seu forno. Foto: Rede Manual.

A arte de Heloisa, entretanto, não se resume as suas peças. Alem das criações em cerâmica, a artista ainda explora com objetos fotográficos, instalações em cerâmica e ações performáticas e poéticas que tencionam a relação corpo-matéria, muitas vezes metaforizando os estados sólido e líquido, e sempre permeando sua poética esta a transitoriedade da matéria e a cristalização de momentos, imagens e memórias através do objeto.

Vale a pena conferir tudo no Instagram da artista.

Peças de Heloisa Galvão. Foto: Adelina Loja

E aí, gostou de conhecer um pouco mais sobre o processo de Heloisa Galvão? Encontre mais obras dele no site da Adelina e descubra tudo que a arte pode te proporcionar!

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