Adelina Apresenta: #MãosQueFazem com Eduardo Borém

Eduardo Borém #MãosQueFazem
#MãosQueFazem com Eduardo Boré na Adelina

A série #MãosQueFazem foi criada pela Adelina para que você possa descobrirum novo jeito de olhar para a produção artesanal e sentir o carinho através das coisas – por meio dos bastidores do gesto criador, conhecendo um pouco mais de quem está por trás dos objetos e obras que você encontra na Adelina Loja.

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre a produção multimídia de Eduardo Borém.

© Eduardo Borém, 2018

As criações de Eduardo são de quase impossível classificação: O artista define a produção multimeios no Brasil transitando por todos os campos criativos. Músico, poeta, artista visual, designer, decorador, performer – a verdade é que a atuação de Borém é muito ampla para rótulos.

Formado em desenho industrial pela Universidade de Brasília, fundador da banda Móveis Coloniais de Acaju e sócio do escritório Borém e Borém design e interiores, o artista multimeios conta:

Transito entre diversas artes, materiais e formas de expressão, para criar soluções e gerar valor em projetos que exijam criatividade, sensibilidade e estética, que carreguem elegância, humor e poesia, e que foquem em reflexão, sustentabilidade e futuro.

E, a pesar da variedade de atuações do, estas encontram um denominador comum na sustentabilidade – e através dela começamos a entender um pouco o processo criador de Eduardo. Materiais reaproveitados, ressignificados e um pensamento guiado pela matéria são elementos centrais para o artista, e, em muitos de seus projetos, foi através da ideia de dar uma nova vida às coisas que se manifestaram projetos premiados de design.

Luminária Design Eduardo Borém
Luminária Bitoca, Eduardo Borém

A Luminária Bitoca é um ótimo exemplo do lindo processo do designer-artista: Dando nova vida a taças bico-de-jaca de restaurantes que tiveram suas bases quebradas e seriam descartadas, Eduardo as une pela “boca” e sela essa bitoca com uma braçadeira de aço inox. Podendo ser de mesa ou pendente, cada luminária tem uma combinação diferente de cor, e através de um objeto cotidiano como a luminária, somos transportados para uma reflexão sobre o uso das coisas, reaproveitamento de materiais e o ciclo de vida dos mais triviais objetos cotidianos que podem tornar-se arte.

Registro de Eduardo Borém em visita ao galpão do Projeto Garagem

E não para por aí. Muitos dos outros projetos do designer também partiram da colaboração para ressignificação, como o projeto Caco Abismo, com cacos de cerâmicas que quebraram durante a queima, ou a coleção de castiçais Torre de Marfim, que surgiram a partir do olhar de Eduardo sobre os resquícios da produção de baquetas de bateria!

Sempre em um movimento colaborativo, Eduardo não hesita em entrar em contato com outros artesãos e artistas de todas as áreas e convidá-los para seus projetos – como na coleção de castiçais que convidou artesãos de Minas Gerais para trabalharem as hastes dos objetos e seus suportes – e, assim, promove encontroscriativos que expandem ainda mais os horizontes da arte e do desing.

Registro de Eduardo Borém do processo de criação de Caco Abismo em parceria com o Estúdio Rosa Pinc
Caco Abismo, Eduardo Borém

Além de seus projetos guiados pela sustentabilidade, Eduardo também possui projetos mais líricos e guiados pela poesia. A coleção Aterrario, por exemplo, nasceu de uma poesia que Eduardo escreveu, inspirado pela pesquisa sobre ancestralidade partindo de seus avôs – um roceiro e o outro minerador – e a relação de exploração natureza e geração de riquezas, de maneira simultaneamente crítica e generosa.

Aterrário | A terra rio

I
A terra que me conecta
com técnicas ancestrais
é canto, não da garganta,
qual prece dos animais
é canto onde me deito
e recolho meus restos,
com portas e peito abertos,
para eras imemoriais

E
é
aqui
que garimpo,
onde não dá ouro
tampouco diamante dá,
a terra rio, que em mim, jorram tantas riquezas

II
A terra que me conecta
com épocas imortais
é rego sem o seu leito
que nem veste de rituais
é templo onde se planta
e se regam sementes,
serenas e pacientes,
como nascentes minerais

E
é
aqui
que cultivo,
onde mal há verde
e em vão ver deste sertão, mar
a terra rio que jorra riquezas em mim

E, em meio a poesia da criação, Eduardo também adiciona ao projeto reflexões artísticas através do design – utilizando para a criação das cerâmicas as regras e proporções dos números áureos e da sequência de Fibonacci – em uma coleção cheia de afeto.

Aterrarios de Eduardo Borém embalados para transporte

E, claro, também permeia sua produção o design “puro”, em seu estado mais matemático e minimalista, limpo, simples. Eduardo é rigoroso em todas as suas criações, e, a pesar de cada uma ter um processo criativo muito único e mutável, o artista também tem seus momentos de planejamento. No desenho, investiga as possibilidades de materialização das formas que cria em sua imaginação, explora tamanhos, proporções, configurações – e, claro, realiza criações artísticas que são naturais do encontro do grafite e do papel. Para alguns projetos, também realiza maquetes, mock-ups, e estuda muito antes de colocar a mão na massa.

Desenhos de Eduardo Borém
Registro de processo de mockup de Eduardo Borém

Borém também produz artesanalmente muitos de seus objetos. Desde os que incluem assemblage de materiais reaproveitados até os projetos mais complexos de marcenaria, as mãos criativas do artista estão sempre trabalhando e envolvidas em todos os detalhes dos objetos que assina – e não para por aí. Também estão por trás de suas obras em Xilogravura, por exemplo, fazendo suas próprias impressões, dos projetos arquitetônicos, e compondo letras e melodias musicais.

Eduardo projetando o premiado banco Caixote Chico
Eduardo em ateliê de marcenaria

Seria impossível abranger todos os processos criadores de um artista tão versátil e plural como Eduardo Borém. Mesmo assim, conhecer tamanha variedade de processos é extremamente inspirador – e é isso que visam as criações de Borém, inspirar, com relevância e propósito, e propor novas e mais profundas relações com o meio, com o outro e com os nossos espaços.

Poesia de Eduardo Borém dentro de Aterrario

E aí, gostou de conhecer um pouco mais sobre o processo criativo de Eduardo Borém? Encontre mais obras dele no site da Adelina e descubra tudo que a arte pode te proporcionar!

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